Pós-doutorando pelo Programa de Pós-graduação em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (FND/UFRJ). Doutor em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ).Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO).Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO).Coordenador do Laboratório de Estudos em Direito, Desenvolvimento e Economia (LEDDE). Pesquisador associado do Núcleo de Pesquisas em Direito e Ciências Sociais (DECISO). Integra o Grupo de Estudos de Economia e Política (GEEP). Atua nas áreas de Direito, Economia Política e Ciência Política, com ênfase nos temas da instrumentalização política do combate à corrupção, judicialização da política, politização do sistema de justiça, e a interface entre Direito e Economia Política.
O artigo analisa a centralidade da bandeira anticorrupção na política brasileira, mostrando como seu uso recorrente, desde a República de 1945 até os dias atuais, se tornou um recurso estratégico de oposição e um poderoso instrumento de deslegitimação política. A narrativa percorre episódios históricos – de Vargas e JK a Collor, do Mensalão à Lava Jato – para demonstrar que o discurso anticorrupção, longe de ser anômalo, constitui um valence issue, acionado em diferentes conjunturas por distintos atores. O texto argumenta que a inovação recente foi o protagonismo inédito do sistema de justiça, fortalecido por reformas institucionais impulsionadas pelos governos petistas, o que deslocou o combate à corrupção do campo político para o jurídico-criminal. Esse processo, somado à tentativa de Dilma Rousseff de incorporar a pauta como marca de governo, acabou fragilizando sua coalizão e contribuindo para a crise que resultou no impeachment, na prisão de Lula e na eleição de Jair Bolsonaro. Conclui-se que a instrumentalização da anticorrupção, ao invés de regenerar o sistema político, aprofundou a instabilidade democrática e abriu espaço para projetos autoritários.
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