Doutoranda em Ciência Política no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP/UERJ). Mestra em História, Política e Bens Culturais (PPHPBC) pelo CPDOC/FGV. Bacharela em Ciência Política pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e bacharela em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ).
Este artigo analisa os impactos jurídicos e políticos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015, que proibiu doações de empresas a partidos e campanhas eleitorais no Brasil (ADI 4.650). O estudo utiliza análise documental de processos judiciais, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e repercussões midiáticas para examinar as consequências da medida. Argumenta-se que a proibição, motivada por preocupações com desigualdade de influência e corrupção, redesenhou o financiamento político, substituindo o modelo anterior — dominado por grandes doadores empresariais — por um sistema baseado em fundos públicos e financiamento coletivo (crowdfunding). Os resultados indicam que a decisão reduziu o volume total de recursos em campanhas (queda de 60% entre 2014 e 2018), mas consolidou a centralização do poder nas mãos das lideranças partidárias, que passaram a controlar a distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC). Paradoxalmente, as desigualdades persistiram: candidatos com mandato ou capital político prévio continuaram privilegiados. Além disso, emergiram movimentos suprapartidários (como RenovaBR e MBL), que atuaram como alternativas de financiamento e formação para candidaturas outsiders, embora com alcance limitado a perfis específicos (elites urbanas escolarizadas). Conclui-se que, embora a reforma tenha eliminado distorções do financiamento empresarial, não alterou estruturalmente as assimetrias do sistema eleitoral. A pesquisa contribui para debates sobre judicialização da política, corrupção e representação democrática no Brasil.
Referências
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