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Dossiê A Regulação Judicial da Política: muito além do controle de constitucionalidade

v. 13 (2026): Revista de Estudos Empíricos em Direito

Financiamento Eleitoral e Democracia: Análise dos Efeitos da Proibição de Doações Empresariais pelo STF

DOI
https://doi.org/10.19092/reed.v13.1020
Enviado
julho 28, 2025
Publicado
2026-09-05

Resumo

Este artigo analisa os impactos jurídicos e políticos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015, que proibiu doações de empresas a partidos e campanhas eleitorais no Brasil (ADI 4.650). O estudo utiliza análise documental de processos judiciais, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e repercussões midiáticas para examinar as consequências da medida. Argumenta-se que a proibição, motivada por preocupações com desigualdade de influência e corrupção, redesenhou o financiamento político, substituindo o modelo anterior — dominado por grandes doadores empresariais — por um sistema baseado em fundos públicos e financiamento coletivo (crowdfunding). Os resultados indicam que a decisão reduziu o volume total de recursos em campanhas (queda de 60% entre 2014 e 2018), mas consolidou a centralização do poder nas mãos das lideranças partidárias, que passaram a controlar a distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC). Paradoxalmente, as desigualdades persistiram: candidatos com mandato ou capital político prévio continuaram privilegiados. Além disso, emergiram movimentos suprapartidários (como RenovaBR e MBL), que atuaram como alternativas de financiamento e formação para candidaturas outsiders, embora com alcance limitado a perfis específicos (elites urbanas escolarizadas). Conclui-se que, embora a reforma tenha eliminado distorções do financiamento empresarial, não alterou estruturalmente as assimetrias do sistema eleitoral. A pesquisa contribui para debates sobre judicialização da política, corrupção e representação democrática no Brasil.

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